“Quando é perigoso fazer LASER no paciente?”

Dr. analisando mancha na pele no possível diagnóstico de câncer

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O uso do laser para procedimentos estéticos vem ficando cada vez mais popular. Entre os efeitos possíveis, destacam-se a capacidade de estimular a produção de colágeno, tratar manchas, cicatrizes e a textura da pele. 

Mas há cuidados que devemos nos atentar antes de recomendar um tratamento com laser para os pacientes, até porque estamos falando de uma tecnologia potente, e em alguns momentos pode representar riscos para o paciente.

Tipos de laser e como afetam a pele

A maioria dos lasers usados para fins estéticos geralmente emitem feixes de luz que são absorvidos por algumas estruturas da pele, como a melanina ou a água intracelular. Dependendo do tipo de laser utilizado, esse procedimento tem efeitos diferentes.

Laser de CO2 fracionado: promove a remoção de camadas da pele e estimula colágeno, indicado para rugas, cicatrizes e flacidez;

Laser Erbium YAG: indicado para resurfacing mais superficial, com tempo de recuperação mais curto;

Nd:YAG: atua em camadas mais profundas, sendo usado para rejuvenescimento e tratamento de vasos;

Luz intensa pulsada (LIP): apesar de não ser laser propriamente dito, também é muito usada em tratamentos para manchas, rosácea e rejuvenescimento.

Manchas, lesões elevadas e vascularizadas: fique atento!

Algumas lesões e manchas na pele são sinais de alerta que podem indicar condições pré-malignas ou até mesmo um câncer! O Consenso Brasileiro de Câncer de Pele (SBD, 2020) alerta que qualquer intervenção em lesões não diagnosticadas pode comprometer o prognóstico do paciente.

De um modo geral, as lesões mais perigosas são aquelas que são assimétricas, têm bordas irregulares, uma coloração muito diferente e que passam dos 6mm de diâmetro. Da mesma forma que lesões elevadas, com sangramentos constantes também podem ser sinais muito importantes de alerta. 

O mesmo vale para lesões muito vascularizadas. Assim como as manchas, esse tipo de lesão podem ser, na verdade, malígnas, como o carcinoma espinocelular, que apresenta um crescimento rápido. 

O laser promove microlesões na pele e estimula a regeneração, mas também ativa processos celulares intensos. Em tecidos com alterações malignas ou inflamatórias, esse estímulo pode acelerar a progressão de doenças ou mascarar os sinais de alerta. Por isso, qualquer alteração de pele não diagnosticada deve ser observada com cautela.

“Quem tem doenças autoimunes pode fazer laser?”

Nos casos de doenças autoimunes o laser deve ser usado com muita cautela. Isso porque o laser atua, justamente, provocando inflamações controladas para estimular a regeneração da pele. Doenças como lúpus, psoríase ou vitiligo podem acabar se agravando por conta do tratamento com laser.

Além de que muitos pacientes com essas doenças fazem uso de medicamentos imunossupressores, o que acaba alterando o processo de cicatrização da pele e mudando os efeitos do laser, podendo causar bolhas ou hiperpigmentação.

“O que fazer antes de recomendar um tratamento com laser?”

O ideal é que todo paciente passe por uma avaliação dermatológica antes de realizar qualquer procedimento com laser. O dermatologista é o profissional capacitado para identificar possíveis lesões suspeitas ou contraindicações que podem passar despercebidas em uma análise superficial.

No entanto, é comum que muitos pacientes procurem inicialmente os serviços estéticos em busca de soluções rápidas para queixas visuais. Por isso, a colaboração entre esteticistas e dermatologistas se torna essencial.

Reconhecer sinais de alerta e encaminhar o paciente para avaliação médica não diminui o papel do esteticista — pelo contrário, demonstra responsabilidade profissional, compromisso com a segurança do paciente e fortalece ainda mais a confiança no seu trabalho.

“Pele com inflamação, infecção ou bronzeamento recente pode receber laser?”

Não é indicado. A aplicação do laser em peles com processos inflamatórios, infecções ativas (como herpes ou foliculites) ou bronzeamento recente aumenta significativamente o risco de efeitos adversos, como hiperpigmentação, queimaduras e cicatrizes.

“Posso usar lazer no paciente que toma roacutan?”

O uso de isotretinoína oral (Roacutan) compromete a renovação da epiderme e torna a pele muito mais sensível, fina e suscetível a lesões. Procedimentos com laser durante ou logo após o tratamento podem levar a complicações graves, como cicatrizes permanentes. A recomendação mais aceita é aguardar, no mínimo, 6 meses após o término do uso do medicamento para considerar procedimentos com laser, salvo avaliação médica específica que indique segurança antes desse prazo.

“Posso aplicar o laser em uma mancha escura que o paciente disse que tem há anos?”

Não antes de passar por uma avaliação dermatológica. O fato de uma mancha estar presente há muito tempo não garante que ela seja benigna. Lesões pigmentadas crônicas, mesmo sem alterações recentes, ainda podem representar riscos. Antes de aplicar o laser, é fundamental garantir que não se trata de uma lesão suspeita.

“Como o profissional da estética deve agir ao encontrar uma lesão suspeita?”

É muito importante que, quando você notar uma lesão suspeita no paciente, explique a situação e recomende que ele busque um dermatologista antes de dar seguimento com o tratamento. 

Fale com calma, acolhimento e clareza: “Olha, parece que essa pintinha aqui tá meio estranha, né? Você já se consultou com algum dermatologista sobre ela?” 

Dessa forma você estará ajudando o paciente a descobrir e tratar de forma precoce e segura, uma condição que poderia piorar muito com o tempo! Com o exame de mapeamento corporal, nós conseguimos fazer uma avaliação completa do estado da pele do paciente e certificar de que ele está seguro para seguir com o precedimento. 

Se você quer saber mais sobre como agir e indicar um paciente para um dermatologista temos um texto completo sobre isso aqui no site! Clique aqui e acesse! 

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